segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Maximin

De 0 a 100.
Da água pro vinho.
Da importância a insignificância.

Que sou de extremos, isso é fato.
Como todo ariano, a intensidade é meu sobrenome.


E neste fim de ano corrido; muito trabalho, muita festa e muita coisa por fazer, estava eu voltando de casa...

Definitivamente , sempre acabo aprendendo muito quando ando de Van.

Para quem não sabe , Feira de Santana possui uma tradição em transporte alternativo tradicional. Exatamente!
Pense na formalização do informal; pensou ? É isso!

Voltando a Van; desci no centro da cidade e logo reclamei:
 - Lá vou eu pegar uma Van super mega ultra confortável (des). O "Des" veio depois porque na frente já estava lotado.

Quando o cobrador informou que daria um novo balão no centro antes de vir para o Feira VI, com um rompante resolvi descer da Van. Me senti superior àquela situação.
Falta de respeito com os passageiros.
Porém, quem depende de quem ?

Fui andando até o ponto de ônibus mais próximo torcendo para que uma nova Van passasse...
2, 3, 4 minutos e nada.
Torcia, torcia mesmooooooooo.
Torcia para que não passasse a mesma Van que tinha pegado antes e fosse obrigado a ir nela novamente.

É como se estivesse com fome e o garçom do restaurante me servisse um prato feio.
No primeiro momento recusei o prato.
A fome chega.
A fome chega de avião. E o prato feio, nunca me foi tão saboroso.

Felizmente, ou não?

Me perdoe pelos sentimentos escuros.
Todos temos um pouco de vaidade.
Eu tive hoje (Só hoje?).

Não veio a Van; fui de ônibus.

Ao entrar no GOL (Grande Ônibus Lotado), percebi logo que havia um pedinte.
Se fosse em Salvador, tenho certeza que seria um ambulante.
Ele venderia canetas, cds, dvd´s, mentos, cerveja e até churrasquinho quente (do sol) da hora.
Passei pela catraca e segui meu caminho.

Esse arrodeio todo é pra chegar no X da questão.
O pedinte era portador de HIV.
Debilitado e aparentemente ex (acredito eu) garoto (a) de programa.
Corpo franzino, baixo estatura. O sofrimento dele me comovia (ou me incomodava).
Ele relatou toda história.
Contou do sofrimento e da via crucis que vários outros aidéticos passam.

Grande parte da população é sim preconceituosa.
Existem algumas coisas que  ainda não são admitidas pela sociedade.
Que culpa tinha eu pela situação daquele homem?
O que tinha com aquela história?
É culpa minha o que ele fez com o corpo dele?



Agradeci a Deus por ter o pouco que tenho e por não me encontrar naquela situação.
Pensei em quanto renegamos e nos julgamos superiores a tantas situações.
Pensamos no quanto reclamamos.
Pela comida fria, pelo travesseiro velho.


A história dele poderia ser uma  fábula ? No mundo de hoje, quantas pessoas não tiram proveito de tantas outras.

Que fosse. Ele merecia a ajuda pelo que ele me acrescentou.

Tomara até que ele fosse.

Que minha ajuda e de todos outros sirva para acalentar um pouco a dor do mesmo.

E que esse relato sirva para acrescentar um pouco de compaixão a todos nós!

Um comentário:

  1. Nooossa, muito bom!!!
    Simplesmente surpreendente!!!
    Gostei da foto!!! ;)
    Tudo de bom!!!

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