De autoria de Belchior e imortalizada na voz da saudosa Elis Regina, a canção da década de 70 é um grito de revolução, colocando em xeque valores e sentimentos.
Contemporânea a todas gerações, essa canção também representa muito pra mim.
Não me recordo quando ouvi pela primeira vez, o que sei, é que quando a ouço, o sentimento de que nós somos os responsáveis por fazer a diferença existe dentro de mim.
"Como Nossos Pais", é uma poesia, é um hino à uma juventude que amadurece percebendo que o mundo é uma constante, porque é feito de homens que se acomodam e de outros que lutam por mudança. E, nessa balança oscilante, esses últimos vestem de uma nova cara a mesma velha história que os outros já viveram.
Não sei se quebrarei a corrente. Não sei se com minha geração será diferente. Mas sei que vale a pena ouvir a música e vestir-se de coragem pra pelo menos arriscar.
Como nossos pais.
Não quero lhe falar, meu grande amor, das coisas que aprendi nos discos;
quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo.
Viver é melhor que sonhar. Eu sei que o amor é uma coisa boa;
mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa.
Por isso, cuidado, meu bem, há perigo na esquina!
Eles venceram. E o sinal está fechado pra nós que somos jovens.
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
é que se fez o seu braço, o seu lábio, e a sua voz...
Você me pergunta pela minha paixão.
Digo que estou encantada com uma nova invenção.
Eu vou ficar nesta cidade. Não vou voltar pr'o sertão.
Pois vejo vir vindo, no vento, o cheiro da nova estação.
Eu sei de tudo, na ferida viva do meu coração...
Já faz tempo, eu vi você na rua: cabelo ao vento, gente jovem reunida.
Na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais.
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos
ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...
Nossos ídolos ainda são os mesmos; e as aparências não enganam não.
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém.
Você pode até dizer que eu tô por fora; ou então, que eu tô inventando.
Mas é você que ama o passado e que não vê...
É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem.
Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
tá em casa, guardado por Deus, contando vil metal.
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos,
Nós ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.


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ResponderExcluirÉ notável que essa canção ainda retrata a sociedade em que vivemos,pois apesar dos inúmeros avanços, o país ainda conserva costumes ultrapassado que atravancam o seu desenvolvimento; ainda nos deparamos,por exemplo, com uma mentalidade política brasileira muito estagnada.
ResponderExcluirNessa postagem, você conseguiu, em poucas linhas, sintetizar o verdadeiro sentido da canção ,alem de expor uma relevante reflexão sobre a questão. Gostei do final do texto, pois é importante que façamos a nossa parte. A finalidade da canção é justamente essa, fazer com que o brasileiro repense sua atitudes e lute conta tanta ignorância.
Valeu pela visita Augusto!!!
ResponderExcluirSeria muito bom se não tivessemos sido corrompidos pelo espírito da comodismo.
A cançao, vem pra despertar o nosso desejo de mudança.